quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Liberdade

Semana passada estive em São Paulo e aproveitei para dar uma volta na Liberdade, menos por mim, que ainda amargava uma ressaca dos excessos do dia anterior, mais por estar acompanhada por uma amiga que ia pela primeira vez a São Paulo.

É MUITO, mas MUITO difícil resistir às compras naquele lugar. Pior ainda por estar cheio de cerâmicas lindas, muito mais do que nas outras vezes em que lá estive. Sinceramente, se alguém fala de compras em São Paulo, o lugar que pisca na minha cabeça é o bairro da Liberdade, muito mais que 25 de março ou qualquer shopping da moda. Mas eu resisti. Bravamente. Cheguei a  dar voltinhas com uns pratinhos de cerâmica na mão, mas devolvi à prateleira. Comprei um sal rosa do himalaia made in Africa do Sul, para dar uma bossa nas comidinhas e não sair de mão abanando. Mais biscoitos pro namorado e colheres de pau de bambú que minha mãe tinha encomendado para o dia em que eu lá voltasse. Foi doído.

Num outro dia eu acompanhei minhas amigas ao museu da Língua Portuguesa e dei uma volta rápida na Pinacoteca. Procurei as lojinhas dos museus só para dar uma conferida, claro, e que decepção! A lojinha do museu da Língua não existe mais. E a da Pinacoteca é um horror, só tem itens bobos, caneta, caneca, imã e eco bag, além de uns livros cansados.

No dia em que fomos à Oca ver a exposição The Little Black Jacket, linda por sinal, tentamos passar no MAM, mas tinha acabado de fechar. Quando estava passando ali por fora deu pra dar uma espiada na lojinha do MAM, que me pareceu melhorzinha do que a da Pinacoteca, mas duvido que seja algo como os museus dos EUA ou da Europa. Tá, não estou comparando a pinacoteca ao Louvre, mas o museu do Sexo em NY tem uma sex shop bem bacana no térreo e é um museuzinho bem chinfrin (embora interessante).

E como a gente acaba arranjando subterfúgios para dar aquela consumidazinha básica, comprei um presente de natal pro namorado na Livraria Cultura. Um presente bacaninha que eu não imaginaria nem procurar, daquelas coisas que se não existisse eu ia querer que existisse e ia procurar sem sucesso.


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Imunidade

Não comprar passou a significar ignorar. No início eu pensei que fosse significar sacrifício. Mas foram pouquíssimas vezes em que me encontrei lamentando não poder abrir a carteira por um compromisso comigo mesma.

A imunidade ao consumo, principalmente de coisas pequenas, como roupas, sapatos, acessórios e maquiagem é tamanha que pela primeira vez na vida eu não sei o que está na moda, perdi completamente este referencial.

Estive com meu namorado em Parati - RJ, no último final de semana e, mesmo podendo comprar uma lembrança de viagem, não vi razão em comprar nada de lá, não sei se porque o que eu vi não me impressionou (ao contrário de Tiradentes, que tem artesanatos lindos), ou se eu realmente estou imune ao impulso de comprar.

A experiência tem sido mais interessante e menos sacrificante do que eu imaginava.

Apenas uma coisa me preocupa: as roupas de verão. Como lavam muito, elas acabam rápido. E eu comecei o projeto sem um "estoque" suficiente. Mas não vou usar isso como argumento e vou tentar ao máximo não comprar nada. Só não posso trabalhar com roupa surrada. Esse então será o limite. 


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Eu, meu pai, Regina e uma possível opinião da minha mãe

Ontem eu passei por uma loja de móveis usados e vi um armário de porta de correr, feito de sucupira, que é uma madeira boa, em EXCELENTE estado. Por mil e duzentos reais.

Um armário deste, novo, está custando em torno de dois a três mil reais.

Há um tempo atrás eu cogitei comprar um armário deste pois sofria falta de espaço para cobertores e edredons. E seria bom um armário em que eu pendurasse meus casacos compridos e eles não ficassem amassados, pois no que eu tenho a parte de pendurar roupa tem altura de camiseiro.

Só que ano passado a minha cama quebrou, eu comprei uma box baú e hoje, se o armário estiver arrumado (quase sempre está), até sobra espaço.

Aí, primeira coisa quando vi o armário foi ligar pro pai. "Alô, pai, vi um armário..." "Nossa, Amélia, eu acho excelente. Está mesmo em bom estado?" "Sim, pai, está perfeito. Mas eu não estou precisando de um armário. Seria uma oportunidade boa de por um armário naquele quarto do meio..." "Faz uma coisa, liga pra sua mãe." "Ah não vou ligar não. Minha mãe vai dizer que é pra comprar porque é uma boa oportunidade e eu ainda não me convenci de que eu preciso dele." Meu pai riu, é claro, e disse que era pra eu pensar até amanhã. Mesmo porque um armário daquele não ficaria por muito tempo na loja.

Desliguei o telefone e contei do armário e da conversa para Regina, que é companheira de trabalho, anjo da guarda, mãe, educadora, cérebro, arquivo... Regina é tudo de bom. Aí ela me pergunta: "Mas você está precisando do armário?" E eu digo "Não." "Então por que você vai comprar?" "Porque é uma oportunidade." "Ah, então você está pensando igual a sua mãe."

Ponto. Fim de conversa. Não vou comprar o armário.

A questão não é concordar ou não com minha mãe, que é bem sensata até, e não é só ela que tem essa coisa de oportunidade, mas meu pai também tem, sendo que ele consome como homem - brinquedos mais caros e mais duráveis. É a ideia da OPORTUNIDADE. A ideia da oportunidade nos é apresentada como se fossemos perder algo muito valioso se deixarmos de comprar uma determinada coisa. É difícil pensar em necessidade quando se está diante de uma oportunidade. Nem sempre compra por oportunidade é uma compra burra. Já me arrependi MUITO de não ter comprado quando tive oportunidades boas de preço, de tamanho, de exclusividade.

Mas eu não preciso do armário. Definitivamente eu não preciso do armário. E se amanhã eu precisar, eu dou um jeito e compro um. Mas hoje, eu não preciso. E também não preciso encher minha casa de coisas que talvez um dia eu precise. Dosar oportunidade e necessidade pode ser uma boa saída para consumir menos.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

3 meses de poucos pecados

Eu sinceramente achei que iria postar muito mais do que estou postando. Talvez a economia esteja surtindo efeitos nas palavras!

Terceiro mês e seguimos firme e forte ignorando a vitrine da Arezzo!

Em outubro eu cometi um pecadito, um pecadão e tem um pecado previsto pra novembro...

O pecado previsto é uma smart cover pro iPad porque não dá pra viver sem. Aquilo escorrega mais que peixe ensaboado. Eu me virava com uma capinha fofa que trouxe dos EUA mas minha mãe tava num chororô porque queria uma, aí dei a minha pra ela e fiquei de comprar outra pra mim porque a smart cover é realmente necessária.

O pecadito foi esse:

Trata-se de um prendedor de porta. O meu quebrou e eu colocava qualquer coisa pra segurar a porta. E qualquer coisa não tava funcionando porque essa porta é do tipo que fica no meio do caminho, sabe? A vantagem deste é porque é de borracha, assim não estraga a porta nem o chão (não esse chão, mas laminado de madeira detona com seguradores de porta) e não empoeira igual àqueles pesinhos de areia. A desvantagem é que não prende tão bem. Achei que fosse mais eficiente, mas tá valendo. Foi um pecado quase necessário.

O pecadão eu vou esperar ficar pronto (sim, tem uma fase de confecção) e depois eu mostro e falo dele. E, nossa... foi um pecadão mesmo.

De resto, o que tenho parado pra pensar sobre no meu plano de um ano é na indiferença com que venho lidando com o consumo. Antes eu perdia horas dentro de uma loja de bijuteria barata e agora eu até esqueço que elas existem. Shopping nem vou mais. Nem livraria. Nem papelaria. Nem site. Nada. 

Ainda abro as gavetas e acho coisas pouco usadas dentro delas. Isso é uma coisa muito interessante. Prova que quando a gente está disponível pra comprar acaba ignorando o que se tem no armário.

Os sapatos me causam um pouco de preocupação pois alguns estão bem gastos e não tem substitutos. Como eu já disse lá pra trás eu realmente ando muito a pé e vai chegar uma hora que não sei o que vou fazer. Mas saltão, definitivamente, só em agosto do ano que vem e talvez nem entre mais do jeito que entrava.

É o que temos por enquanto.




quinta-feira, 3 de outubro de 2013

No FEEEEISSSSE

Quem me conhece sabe das minhas sérias restrições ao Facebook, mas como acaba que o povo gosta mesmo é de comentar por lá, criei uma página: https://www.facebook.com/epramenos

Curtam!

Saldo do mês - setembro

Eu estava aqui pensando que se este fosse um blog de compras talvez fosse mais interessante!

Não comprei nada, só uma calça pro namorado e nem foi em data comemorativa MAS, puxa, tinha quase 3 meses que a gente não se via, então não vejo como o maior dos pecados.

Não é um blog de dieta mas ela vai muito bem, obrigada. Voltei à nutricionista ontem, perdi gordura, ganhei músculo, trocamos alguns alimentos pra render mais na academia e vamo que vamo. Eu, que achei que fosse ser uma tormenta, vi que não comia tão errado assim.

Agora, a coisa mais legal do mês (que nem foi de setembro porque eu ouvi isso ontem e já era dia 02) foi uma amiga que está passando por um momento de recuperação da conta bancária vir me dizer que entrou na minha onda e, com o que economizou, pagou um tanto aí. Fiquei muito feliz. Tenho certeza que ela vai conseguir voltar pro azul e, quem sabe, passar a ter uma outra relação com as coisas quem compra.




terça-feira, 17 de setembro de 2013

O corpo que somos

Outro dia eu contava do blog pra uma amiga. No meio da conversa, eu dizendo que ia sofrer por não comprar um biquini novo no próximo verão, ela me disse que não ligava para biquinis. E que, ultimamente, ligava menos ainda, por não conseguir se olhar no espelho com um biquini.

Eu fiquei absurdamente espantada. Ela tem 40 anos e é mãe de dois filhos pequenos, o mais novo tem uns 2 anos. Eu nunca a vi sem roupa mas, com roupa, ela tem um corpo lindo. É magra, tem as pernas lindas e silicone. Não consigo entender o que pode haver de errado por baixo das roupas. Disse isso a ela. E ela me confessou que tinha levado os filhos à praia e que não conseguiu tirar a roupa. E que precisa urgentemente de algum tratamento estético para ver se fica mais confortável com a própria aparência.

PAUSA: eu sou absolutamente favorável a qualquer intervenção cirúrgica ou estética (das que dão resultado) se a pessoa for se sentir melhor com isso. São técnicas que a medicina desenvolveu e que trazem satisfação e conforto às pessoas.

Voltando, a questão é que ela não consegue ser feliz em razão de prováveis marcas (ainda que, pelo que imagino, irrisórias) causadas pela idade e pela gravidez. Quando falo de ser feliz quero dizer colocar um biquini e entrar no mar com os filhos. E essa confissão dela me tem tomado muitas horas de reflexão.

A busca por uma estética perfeita chega aos meus olhos como uma conquista a ser feita pela pessoa para que ela tenha o direito de exibir seu corpo. Em que momento a cobrança sobre o corpo deixa de ser apenas um "seja mais belo" para se tornar um "tenha o direito de se exibir"? É como se a praia não pudesse pertencer às dobrinhas, gordurinhas, estrias e pelancas.

Isso me assusta. Muito. Não quero que meu corpo vire produto, que só pode ir pra prateleira se cumprir requisitos do inmetro. É muita infelicidade você não poder usufruir do mundo porque não tem o corpo nos padrões exigidos para a exibição na praia. E o tanto de gente que caminha para esse abismo impressiona.

A seguir, dois tumblrs que me parecem bater de frente com essa ideia do corpo como produto: o Apartamento 302, com fotos do Jorge Bispo é mais light, até por ser um trabalho específico de um fotógrafo. O Batalha dos Corpos - o que não tem censura nem nunca terá, pega bem mais pesado e vale ler cada depoimento.


domingo, 15 de setembro de 2013

Shopping

Ontem foi a primeira vez no shopping depois do início do projeto.

Não tinha muito tempo pois era só para comprar um presente para uma amiga e a festa já havia começado. Queria um lenço, procurei em todas as lojas grandes e pequenas e não achei nada que me agradasse.

Foi meio perturbador passar pela Renner pois a coleção deles está com estampas florais bem bonitas, que eu pararia para dar mais 2 minutos de atenção mas passei batida pelas araras. Uma bolsa azul Klein deixou uma lágrima no canto do olho (eu já tive uma bolsa azul Klein que foi minha paixão enquanto usei - até a bolsa acabar).

Fui a Le Lis Blanc, e fiquei sabendo que eles não vendem mais a linha de presentes, o que me deixou de coração partido, mesmo eu estando no projeto sem compras (não sei dizer se era só naquela loja ou em todas).

Outras lágrimas derramadas foram pela coleção da Arezzo, num festival de preto, branco e caramelo que me deixaram maluca. A ponto de sempre que vejo uma loja, virar o rosto para nem olhar.

Comprei o presente, paguei o estacionamento e fui embora. Nem doeu tanto. Acho que estou começando a diferenciar o que eu compro por impulso do que compro por gosto (ou necessidade). Mas isso é assunto para daqui mais um tempo.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Saldo do mês - agosto

O tempo passou e nem escrevi sobre como foi esse primeiro mês sem compras. Já passa um pouquinho, mas vale fazer um balanço.

Não sei se foi pelo excesso de trabalho (então comprar é menos uma coisa a se fazer!), se foi pelos presentes de aniversário ou se já está ficando fácil, mas o primeiro mês foi bem tranquilo.

Acabei não indo à Bienal e assim não passei vontade! Não foi pelo blog, claro, que deixei de ir, mas porque estava esgotada mesmo e passei o fim de semana recolhida.

Minha hermana perguntou o que eu queria de aniversário, pois ela não sabia o que iria me dar, já que a gente voltou de NY com todos os desejos realizados! Escolhi então a tal sapatilha preta que está lá na lista das exceções.

Também comprei uma meia calça, cor da pele, horrenda, pois fui a uma formatura com um vestido e estava frio na hora em que saí de manhã, mas acabou que de tarde o tempo melhorou, fez calor e eu nem precisava ter comprado. Foi bem inútil mesmo. Mas de qualquer jeito estava na lista de exceções. Outra exceção foi uma calcinha, porque era básica e de cor boa.

Os únicos pecados cometidos foram:

1) Um caderno. Comecei a fazer um curso, os cadernos que tenho aqui são todos pequenos, tipo molesquine, não ia dar certo pois anoto coisas com chaves, diagramas, etc, o que não rola fazer em caderno pequeno.
2) Uma garrafa térmica. Gosto de café sem açúcar. Passo duas tardes por semana na faculdade e conseguir uma segunda garrafa pro meu café sem açúcar é sempre uma novela. 16 pratas e resolvi o problema. E que aquela garrafa rosa nunca saia da minha sala!

E acho que só.

A única tentação mesmo, até comentei isso com minha ~chefa~, que aliás, pediu o endereço do blog (beijo, chefa!) foram e sempre serão os esmaltes. Não sei, é pequeno, é baratinho, parece tão inofensivo... mas o que eu tenho aqui dá para uma profissional trabalhar uns 3 meses, hehehe. Não posso de jeito nenhum!

Volto na outra semana com algo mais interessante. Essa tá meio fraquinha porque eu estou com uns prazos (e a cabeça) estourando.






quinta-feira, 29 de agosto de 2013

É pra mais =/

Ir a uma nutricionista não foi exatamente uma resolução de ano novo, mas eu resolvi fazer isto no início do ano e, claro, só agora, final de agosto é que levei a resolução a cabo.

Eu sou do tamanho que eu sou - grande - desde os meus 18 anos e pouca coisa mudou em termos de tamanho de roupa, mesmo oscilando entre 5kg do menor ao maior peso. Só que a gente vai envelhecendo e o corpo vai se sedimentando de uma forma que vc vai engordando aos poucos, não percebe porque as roupas continuam cabendo, e a balança vai ali subindo 1kg por ano... passar dos 30 é um horror.

Além disso, na minha rotina não tem lugar pra dieta da revista, pois não acordo às seis, sete, e jamais vou jantar às oito para dormir às dez. Por isso, só uma nutricionista poderia me dizer o que comer e a que horas.

E aí fui, amei, contei pra ela tudo o que eu comia durante os meus dias e descobri que como proteína de menos. Durante a semana sou praticamente vegetariana, não tomo leite, não amo queijo, quase não como carne e esse é o meu problema. Eu estou perdendo massa muscular e deixando de perder gordura mesmo me exercitando regularmente.

(Se vc for vegan e estiver lendo esse post, antes de me encher a caçuleta, dê meia volta e xau.)

Daí ela me passou uma dieta mega mole de fazer no meu dia a dia corrido, me deu umas dicas pra ansiedade com comida (que nem sempre me ataca mas, né?), e praticamente me obrigou a comer proteína em todas as refeições, me passando até uma dose pequena, mas diária, de suplemento.

Enfim, na prática, o que tem a ver mesmo com esse blog é que talvez eu precise comprar uma grelha ou uma frigideira maior, mesmo estando proibida de fazer isso, porque vou precisar preparar carne em casa, o que eu odeio e tenho pavor porque suja tudo. Então TALVEZ precise.

Mas prometo que só vou comprar SE encontrar uma bem boa demais linda e perfeita. Quem sabe uma Le Creuset que dura a vida toda?






terça-feira, 27 de agosto de 2013

Filosofia #1

"O objetivo crucial, talvez decisivo, do consumo na sociedade de consumidores (mesmo que raras vezes declarado com tantas palavras e ainda com menos frequencia debatido em público) não é a satisfação das necessidades, desejos e vontades, mas a comodificação ou recomodificação do consumidor: elevar a condição dos consumidores à de mercadorias vendáveis. É, em última instância, por essa razão que passar no teste do consumidor é condição inegociável para a admissão na sociedade que foi remodelada à semelhança do mercado [...] Tornar-se e continuar sendo uma mercadoria vendável é o mais poderoso motivo de preocupação do consumidor, mesmo que em geral latente e quase nunca consciente." (Zigmunt Bauman)

Será que dá pra reverter?

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Nova York e o começo de tudo

Por que começar as postagens falando de um lugar que virou (pelo menos até a alta do dólar) um dos paraísos de consumo dos brasileiros?

Bem, não foi para comprar que fui pra NY. Uns 279 desejos vinham antes do de comprar na Big Apple: conhecer o Central Park, assistir a um musical na Broadway, visitar museus maravilhosos, ver o Chrysler Building, enfim, tanta coisa linda e enquanto eu agendava visto, comprava dólares e passagem, todo mundo só me falava em compras. A ponto de eu ficar meio desanimada com a viagem e me questionar se não deveria ir para a Europa, onde tudo é caro mesmo, não se compra quase nada e se passeia igual.

No meio disso tudo, começaram as economias para que eu aproveitasse para comprar lá tudo o que eu compraria aqui entre abril e julho. E daí que eu vi que não era tão duro assim não comprar, embora um ano talvez fosse um desafio difícil.

Diferente de vários blogs de mulheres que ficaram um período sem compras, minha conta bancária em momento algum esteve a perigo e eu nunca fui uma viciada em roupas. O que me motivou mesmo, além do investimento na viagem, foi a leitura de material de filosofia sobre o consumo. Meu pai comprou um livro de que me esqueci o nome, nós às vezes discutíamos sobre consumo, e eu acabei comprando o Vida para o consumo, do Bauman.

As reflexões trazidas pela leitura do livro me fizeram decidir pela experiência e tem tornado tudo bem mais fácil. Não comprar tem sido uma opção como qualquer outra e não um enorme sacrifício.

Em NY eu relaxei e comprei. Meu dinheiro foi embora praticamente sem controle e quando eu vi já tinha acabado. Mas já estavam na minha consciência atitudes em relação às compras que talvez eu não tomasse caso não tivesse o plano de um ano sem compras na cabeça: eu praticamente só comprei peças de roupa básicas, maquiagem de base, objetos que vou usar (um aparador de livros, uma lancheira térmica, um telefone e um tablet), pouca coisa de lembrança (uns imãs, uma caneca e um chaveiro) e larguei para lá milhares de coisas.

A regra das roupas era: se não ficar perfeito, não levo. E funcionou bem. Além disso, tiramos um único dia para fazermos compras num outlet e nos outros foram apenas passagens rápidas por algumas lojas. Era hora de relaxar e eu relaxei e curti muito.

E desde o primeiro momento eu percebi que NY é muito mais do que um simples destino de compras. É uma cidade inacreditável, lindíssima e cheia de descobertas. Os americanos de lá me surpreenderam por serem tão solícitos, embora às vezes eu me estressasse um pouco com seu comportamento tão eficiente em tudo, que não te dá tempo nem de pensar. Mas em nenhum momento padecemos por não ter ninguém para nos ajudar ou nos dar uma informação.



Nova York ainda está nos meus planos de viagens. Com certeza ainda volto lá um dia. E se você não tem grana para voltar com duas malas de 32k para o Brasil (coisa da qual vi vários brasileiros se gabando) mas tem o suficiente para passear, vá. Não perca tempo e vá. Traga uma caneca estampada com I ♥ NY só para não passar em branco e volte com a alegria que um lugar tão legal vai deixar dentro de você.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Regras sobre extras

Extra 1 - Viagens.

Posso viajar. Pro exterior, inclusive. Viajar é uma mistura de planejamento com oportunidade e se houver oportunidade com dinheiro na conta, pé na estrada!

- Em viagens para o exterior eu posso comprar o que eu quiser, dentro de uma cota de 700 dólares (EUA e América do Sul/Central) ou 800 euros (Europa), mas maquiagem e afins estão proibidos, perfume fica restrito a um, por causa do preço e livros, dois. É uma cota pra lá de folgada considerando a minha absoluta certeza de que já tenho tudo que eu preciso.

- Em viagens pelo Brasil, eu posso trazer UMA lembrança de viagem do local onde eu fui. Não vale comprar uma camiseta na C&A de Brasília ou um livro na livraria Cultura em São Paulo. É souvenir mesmo!


Extra 2 - Presentes

Posso receber presentes que estejam ou não na lista dos proibidões, afinal, não se recusa presente! E se eu ganhar algo da lista das exceções, a sapatilha preta, por exemplo, não posso usar mais a exceção.

Se eu ganhar $ de presente, o que quase não rola mais, posso comprar o que eu quiser.

Posso dar presentes. Mas apenas em ocasiões especiais. Datas comemorativas, aniversários, presentes de agradecimento, nascimento de bebês, casamentos etc.


Extra 3 - Reformas

Posso pintar e reformar o apartamento. Só que é uma decisão que deverá ser tomada com meus pais, que são os donos. E eu arcaria com parte delas. Quem sabe depois desse ano me sobre dinheiro economizado das compras para fazer essa reforma?

domingo, 18 de agosto de 2013

Regras da casa

Aqui, outra tortura.

Eu amo enfeitar, ajeitar, arrumar, decorar e caprichar na minha casinha para deixá-la linda e agradável. Mas isso terá que ser revisto porque os apelos do consumo gritam até naquela almofada fofa supernecessária na qual jamais você vai encostar a cabeça.

Percebi isso quando voltei de Fortaleza. Comprei um monte de coisa de renda e crochê, toalhinhas, caminhos de mesa, pano de bandeja, e está tudo no armário!

Então...

POSSO:
- Comprar tinta para pintar 2 mesinhas.
- Reformar o sofá.
- Consertar tudo o que quebrar ou já estiver quebrado.

NÃO POSSO COMPRAR:
- Eletrodomésticos e utensílios de cozinha.
- Toalhas de banho, de mesa, panos de prato, jogo americano, lençóis, cobertores, colchas, edredons e travesseiros.
- Qualquer objeto de decoração.
- Eletrônicos. Mesmo celular. Se, Deus me livre disso, eu perder os aparelhos que tenho, ou for roubada, terei que me virar com os velhinhos que sempre sobram pelos armários e só posso comprar outro em 27 de julho de 2014.

sábado, 17 de agosto de 2013

Regras da cultura e compras afins

Show pode, cinema pode, sair pode, restaurante pode, museu pode, LIVRO NÃO PODE.

E é aí que o bicho pega feio.

Eu amo livros. Amo. AMO.

E pior, amo mais tê-los do que lê-los. É vergonhoso admitir isso.

E sim, será um ano sem comprar livros. A sorte é que tenho todos estes aqui para ler ou terminar de ler ó:



E mais, eu não estou proibida de ganhar presentes, muito menos livros. Um beijo para o Tito, que sempre me manda presentes, e para os meus pais, que compram muitos e não me deixarão privada de novidades!

Posso comprar: livros didáticos, caneta esferográfica azul, preta e vermelha (sou professora) e cartucho de impressora.

Exceções delícia:
- 1 filme por mês. Na minha casa em Petrópolis a gente não aluga filme, compra. E a família inteira vê depois. 1 por mês e de 14,90, no máximo.
- Livros de filosofia sobre o consumo. Um contra senso, já que não é livro didático. Mas foram eles que me trouxeram a esta experiência! Talvez eu compre mais um ou dois quando eu terminar os dois que já tenho. E se eu tiver tempo, claro.
- Palavras cruzadas.


Não posso comprar: livros de literatura e arte, físicos ou digitais. Revistas. CDs (velha) e DVDs de música. Coisas fofas, lindas e úteis (?) de papelaria. Cadernos, blocos. Caixas organizadoras e tudo mais que eu como boa virginiana gosto de comprar.

UM AVISO: vou à Bienal do Livro.




sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Regras da beleza!

Ô maravilha, um ano sem comprar maquiagem! Isso mesmo, você resistiria? Difícil, né? Vamos ver o que pode e o que não pode.

Pode:
- Tudo que for necessário para me limpar e um leave in (meu cabelo é ruim, não posso abrir mão).
- Cera de depilação.
- Tinta de cabelo. É, não tem jeito.
- Filtro solar.
- Creme anti-idade e ácidos. Também não tem jeito.
- UMA base compacta com filtro solar. A minha está quase no final e não tem como ficar sem.
- Lip balm, o que tenho está acabando e não uso batom.
- Gel para evitar bolhas nos pés.
- Pinça de sobrancelha (vivo perdendo), piranhinhas e elásticos de cabelo (arrebentam, quebram, somem).

OBS: TODOS estes itens só podem ser comprados quando o que eu estiver usando acabar.

Pode também:
- 2 cortes de cabelo.
- 4 limpezas de pele com profissional.
- 2 progressivas ou similar para apaziguar a juba (Duvido que faça. Só entrou aqui porque ando em crise com o cabelo. Mas passa.)

As minhas unhas sou sempre eu que faço, por isso não coloquei ressalva.

Não pode DE JEITO NENHUM:
- Hidratantes.Tenho estoque.
- Maquiagem. Todas. Qualquer tipo.
- Esmaltes.
- Perfumes.
- Escovas de cabelo, pentes, necessaires, pincéis de maquiagem., alicate de cutícula, tesourinha.
- Mudanças radicais no cabelo que demandem gastos no salão.




quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Regras de vestuário

Talvez não seja impossível ficar sem comprar absolutamente nada no período de um ano. Mas como a minha experiência tem mais a ver com o que eu estou chamando de cultura da substituição (que uma hora eu vou explicar para vocês melhor do que se trata) do que com uma necessidade de recuperar conta bancária ou hábitos de consumo, algumas coisas vão ficar de fora da proibição.

"Nossa, mas aí não vale!"

Para o meu propósito, vou dizer que vale sim. O que eu coloco na exceção, na lista do que pode ser comprado, se enquadra mais na necessidade do que no ímpeto. E as primeiras regras, é claro, são as de vestuário.

NÃO PODEREI COMPRAR
- qualquer peça de roupa, seja de sair, de dormir, de malhar ou de ir à praia.
- qualquer sapato, tênis ou chinelo.
- qualquer bijuteria, relógio, jóia, óculos (mesmo de grau) e acessórios como cintos, lenços e bolsas.
- tecidos. 

PODEREI COMPRAR
- 6 calcinhas novas. Porque calcinha estraga, né? A ponto de ir pro lixo. 6 acho que tá bom. E 6 porque onde compro são vendidas de 3 em 3!
- 1 sutiã. Porque também estraga. Talvez os que tenho aguentem bem a jornada, então só vou comprar se realmente houver necessidade.
- 1 sapatilha preta. É quase que o item básico da pessoa que tem que trabalhar arrumada e anda a pé. Muito. Anda muito. E a minha já tem 2 anos ou mais e está com a sola descolando, já era pra ter sido substituída!
- Meia calça. Só as finas, que estragam. Decoradas, xadrezes, essas não posso. Mas também é uma coisa que só vou comprar se houver necessidade mesmo porque não curto muito meia calça.
- Qualquer coisa em caráter emergencial se eu estiver viajando. Sim, porque já precisei correr para comprar roupa de frio num verão em Curitiba.

"Nossa, aí parece fácil!"

Não, não é fácil. Não poderei comprar um biquini novo no verão, por exemplo. E eu já estou rezando para que pelo menos um ainda esteja inteiro para eu ir à praia.

E nesse item das roupas tem um outro ponto também, que faz parte da empreitada! Esse item sim irá apaziguar um pouco os meus ímpetos de consumo!

Talvez você não saiba, mas eu sei costurar. Fiz aula de corte e costura um ano e meio, mais ou menos. E durante este tempo eu adquiri muitos cortes de tecido que não viraram roupas porque eu não tenho tempo pra costurar. E é muita coisa, que está guardada há uns 2 anos num baú. Então nesse um ano que vou ficar sem comprar eu vou me comprometer a levar TODOS os tecidos para uma costureira fazer as minhas roupas, já que não tenho tempo. Aí eu vou mostrando aqui o que for sendo feito!

É, acho que a parte da roupa agora sim ficou fácil. Mas só de pensar em resistir a sapatos, brincos, pulseiras, lenços... acho que o pior é isso!

Fora as regras de permissão e proibição, eu devo usar tudo o que tenho no armário. O que eu não usar, tem que ser doado. 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

é pra menos

O "é pra menos" é um blog para relatar uma experiência que resolvi ter. Não é para ser lido e acompanhado nem para fazer sucesso e, muito menos, para catequizar alguém. É coisa minha.

A experiência é ficar um ano sem comprar. A ideia surgiu há uns dois ou três meses atrás, não sei bem ao certo, quando, com passagem comprada para NY, decidi que iria segurar meus impulsos de consumo para poder economizar e gastar na big apple. E foi menos difícil do que eu imaginava, apesar de ter comprado uma ou outra coisa neste período.

A coisa não vai ser tão rigorosa porque não sou das maiores consumidoras e fui criada na base do valor e não do preço. Tenho meus momentos de desperdício mas geralmente eu penso bem antes de comprar uma coisa para ver se ela realmente encaixa com o meu estilo, a minha necessidade e o meu desejo. E ultimamente eu tenho desejado usar muito tudo o que eu tenho.

Além do não gastar eu ainda terei alguns propósitos, que explico nos próximos posts, e que de certa forma apaziguarão um pouco o impulso por adquirir coisas novas.

No dia 27 de julho de 2013 eu desembarquei no Rio de Janeiro e ali comprei um perfume e duas caixas de chá. Do que eu tinha no bolso, sobrou UM DÓLAR e algumas moedas. Foi a última compra. No dia 27 de julho de 2014 termina a experiência. E duvido que eu irei comemorar comprando.